Formar para transformar realidades: Fiocruz Brasília celebra 10 anos do Mestrado

Fiocruz Brasília 24 de outubro de 2025


Por Nathállia Gameiro e Adrielly Reis

Entre reflexões sobre o papel da educação pública, memórias de uma trajetória coletiva e olhares atentos para os desafios do futuro, a Fiocruz Brasília celebrou uma década do Mestrado Profissional em Políticas Públicas e Saúde.

O evento, realizado nos dias 21 e 22 de outubro, reuniu gestores, docentes, discentes e representantes de diferentes unidades da Fiocruz, reafirmando a educação como eixo estratégico para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a formação de profissionais comprometidos com a transformação social.

A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, relembrou, emocionada, a trajetória do mestrado e o caráter coletivo que marca a história da Escola de Governo Fiocruz-Brasília (EGF-Brasília). “Chegar até aqui foi possível porque cada estudante trouxe sua trajetória e sua realidade de trabalho. O mestrado consolidou um caminho que já vinha sendo aberto por outras formações da casa, ampliando o escopo de cursos e fortalecendo a residência, a especialização e a educação popular”, afirmou.

Ela também destacou o caráter intergeracional da equipe. “Temos uma equipe experiente e também uma juventude muito potente. Essa convivência é o que faz o nosso mestrado seguir crescendo, enfrentando temas urgentes como as mudanças climáticas, as desigualdades sociais e a preparação para emergências em saúde pública.”

A vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Marly Cruz, ressaltou o papel estratégico dos programas profissionais para a inovação e para o fortalecimento da saúde coletiva. “Esses programas têm aproximado a academia da gestão e das políticas públicas, rompendo barreiras que impedem o avanço da pauta da soberania e da democracia no país. Eles formam gestores, trabalhadores e representantes do controle social, fortalecendo políticas públicas essenciais para a defesa do SUS, que representa o direito à saúde de todos e todas”, destacou. Marly também enfatizou o movimento crescente de internacionalização, com parcerias que ampliam o diálogo entre o Sul Global e o Norte, reforçando o papel desses programas na saúde global.

 

A Fiocruz conta hoje com 49 programas de pós-graduação distribuídos em todo o país, 16 deles na categoria profissional. “Este é um dos mais importantes, pela sua contribuição à formação voltada ao SUS e à inovação no campo da saúde coletiva”, destacou Marly.

 

A coordenadora-geral adjunta da Educação stricto sensu da Fiocruz, Ernites Caetano Prates Melo, lembrou que a celebração também tem um caráter propositivo. “Dez anos de construção não é pouca coisa. É momento de comemorar, mas também de apontar caminhos para o futuro do programa e da Fiocruz como um todo. A educação é uma missão clara da instituição, e os programas profissionais representam um elemento essencial de inovação.”


Criado para aproximar a produção científica das práticas de gestão e das realidades dos territórios, o programa se consolidou como espaço de formação de líderes e profissionais comprometidos com o SUS e com a construção de políticas públicas mais justas e inclusivas. E esse caráter foi lembrado pela diretora executiva da Escola de Governo Fiocruz-Brasília, Luciana Sepúlveda. Ela reforçou a importância de celebrar com responsabilidade e visão de futuro. “É preciso honrar nossa história e preparar, com reflexão e autocrítica, o futuro. É assim que esperamos nos projetar para mais 10, 20, 30, 40, 50 anos em um mundo permeado de desafios sanitários, civilizatórios, ambientais e políticos, nos afirmando como uma instituição comprometida com a sociedade brasileira, com a equidade, com uma saúde pública de qualidade e com menor desigualdade no país”, disse. 

 

Formação que transforma realidades

A trajetória dos mestrados e doutorados profissionais no Brasil foi tema do primeiro painel do evento. O ex-diretor da Fiocruz Brasília, Gerson Penna, resgatou a história do programa e refletiu sobre o impacto do curso. “É difícil medir o impacto pelos indicadores tradicionais. O que realmente importa são os efeitos nos serviços e sistemas de saúde, na melhoria das condições de vida, na formação de profissionais comprometidos com o SUS e com a transformação da prática cotidiana, um compromisso ético com o contribuinte, que é quem financia essa formação.”

Já a pesquisadora Elyne Engstrom, coordenadora das turmas de Doutorado Profissional em Saúde Pública e do Mestrado Profissional em Atenção Primária à Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), apresentou reflexões sobre o conceito de saúde coletiva e as assimetrias regionais na formação, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Norte, que concentram menos programas de pós-graduação. “Os programas profissionais formam pessoas capazes de transformar realidades. Não se trata apenas de agregar disciplinas, mas de formar líderes, gestores e pesquisadores que apontem caminhos para políticas públicas, reduzam iniquidades e produzam conhecimento aplicável aos problemas concretos do mundo do trabalho e da vida real”, destacou.

Também participante do painel, a coordenadora-geral de Gestão de Pessoas do Ministério da Saúde, Etel Matielo, que atuou na Assessoria Pedagógica da Escola de Governo Fiocruz-Brasília, relembrou o papel inovador da instituição durante a pandemia. “Os residentes da Fiocruz foram elos de conexão com os territórios, combatendo a desinformação e fortalecendo vínculos locais, um exemplo do quanto a formação aqui está conectada à realidade social”, disse.

Etel ressaltou ainda que o mestrado reflete a diversidade e o compromisso histórico da Fiocruz Brasília com a gestão pública. “Mais de 70% dos estudantes vêm do governo, o que traz uma riqueza enorme. A Fiocruz Brasília foi inovadora e mostra a força do mestrado na produção de conhecimento conectado aos territórios e à equidade”, finalizou.

O seminário também celebrou os 49 anos da Fiocruz Brasília, reforçando sua trajetória institucional e a consolidação do papel da unidade como espaço de formação, inovação e compromisso social. “É de mãos dadas que seguimos construindo, com responsabilidade e alegria, o futuro da educação e das políticas públicas em saúde”, concluiu a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio.


Confira o álbum de fotos do evento aqui.

Oficina Conversa Rotativa

Como parte da programação do Seminário, na quarta-feira (22) foi realizada a Oficina Conversa Rotativa com a presença de docentes e egressos do Programa.

O objetivo da dinâmica foi promover a troca entre eles e, a partir de perguntas norteadoras, discutir os desafios, as potencialidades e perspectivas para o futuro do Mestrado Profissional em Políticas Públicas em Saúde da Escola de Governo Fiocruz-Brasília.

“Ser Fiocruz e estar presente nas cinco regiões do país nos permite ter um olhar ampliado para as demais realidades dos profissionais que ingressam no nosso Programa”, afirmou a coordenadora do Mestrado, Noely Moura, que acrescentou: “temos um corpo docente forte e diverso, que passa por todas as esferas do SUS, mas que precisa estar mais engajado”.

Entre os docentes convidados, estavam os profissionais das instituições: Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Fiocruz Ceará e Pernambuco, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Escola Nacional de Administração Pública (Enap) e Escola de Saúde Pública do Distrito Federal.

A diretora executiva da Escola, Luciana Sepúlveda, destacou que a oficina de conversa rotativa foi uma oportunidade de ampliação da perspectiva de aprendizagem e troca de experiências entre as instituições.

Confira aqui as fotos da atividade.

 

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