Coronavírus? Tire suas dúvidas aqui!

Por: Fiocruz Brasília
23/03/2020

A Fiocruz Brasília tem recebido por e-mail e redes sociais muitas perguntas sobre o novo coronavírus e a doença que ele causa, a Covid-19. É normal que apareçam várias dúvidas e o ideal é esse mesmo: buscar fontes de informação confiáveis! Para esclarecer as questões, em conjunto com a equipe do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (NEVS/Fiocruz Brasíia), foram criadas duas estratégias: o podcast “Viralizados”, já disponível nas plataformas Spotify e SoundCloud, e um guia de perguntas e respostas, que você confere a seguir.

 

Leu o guia e ouviu o podcast, mas não encontrou a resposta que procurava? Não se preocupe. As duas estratégias estão em permanente atualização e, em breve, teremos mais informações aqui. Inclusive, as respostas poderão ser atualizadas conforme avançam as evidências científicas sobre o assunto. Não deixe de acessar o nosso site e indicá-lo aos amigos e à família.  

 

 

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

 

Após quanto tempo da infecção as pessoas começam a sentir os sintomas?

RESPOSTA: Os sintomas da infecção podem aparecer entre 2 e 14 dias após a exposição ao vírus.

 

 

Quais os primeiros sintomas?

RESPOSTA: Os sintomas da Covid-19 são bastante parecidos com os da gripe: febre, tosse e dificuldade para respirar. Entretanto, por ser um vírus recentemente descoberto, ainda são necessários mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas. A pessoa deve procurar uma unidade de saúde caso os sintomas se agravem, com falta de ar, por exemplo.

 

 

Como são os sintomas respiratórios de quem está com Covid-19?

RESPOSTA: Os sinais e sintomas do novo coronavírus (SARS-CoV-2) são principalmente respiratórios. Ele pode causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. No entanto, ainda são necessários mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas da doença. Para outras informações, acesse o quadro comparativo entre coronavírus, resfriado e gripe.

 

 

Como diferenciar uma crise alérgica dos sintomas do coronavírus? Todo infectado que manifesta sintomas terá febre?

RESPOSTA: Os sintomas da Covid-19 são parecidos com os da gripe e, portanto, podem ser confundidos com os de várias outras doenças. Pode ou não haver febre, embora ela seja um sintoma bastante comum. Na alergia respiratória, os sintomas, geralmente, são espirros, tosse, olhos irritados e coriza. O importante é se resguardar e, em caso de piora significativa do quadro, procurar uma unidade de saúde. Para outras informações, acesse o quadro comparativo entre coronavírus, resfriado e gripe.

 

 

Que sinais e sintomas devem ser considerados pelos profissionais de saúde na triagem dos pacientes nas unidades de saúde?

RESPOSTA: Todo paciente com sintomas de síndrome gripal: febre maior ou igual a 38°C (aferida ou referida) mais tosse ou dificuldade respiratória ou dor de garganta.

 

 

Como é o teste de diagnóstico?

RESPOSTA: O diagnóstico laboratorial para identificação do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é realizado por meio das técnicas RT-PCR em tempo real e sequenciamento parcial ou total do genoma viral. Para o diagnóstico, são coletadas amostras de aspirado de nasofaringe, swabs combinado (nasal/oral) ou, também, amostra de secreção respiratória inferior (escarro, lavado traqueal ou lavado bronco alveolar).

 

 

Para quais pacientes a realização desse teste de diagnóstico é indicada? Por quê?

RESPOSTA: O Ministério da Saúde orienta que, na fase atual de mitigação da epidemia, no cenário de transmissão comunitária, esse diagnóstico etiológico só deva ser realizado em casos de pacientes com síndrome respiratória aguda grave, junto a serviços de urgência/emergência ou hospitalares.

 

 

TRATAMENTO

 

Existe algum medicamento específico que tenha ação comprovada contra o novo coronavírus?

RESPOSTA: Não. Ainda não existem medicamentos específicos com ação comprovada contra a Covid-19. O tratamento é feito com base nos sintomas individuais de cada paciente, com o objetivo de evitar o agravamento da doença e reduzir o desconforto. O melhor tratamento ainda é a prevenção.

 

 

Já foi confirmado que não pode utilizar algum medicamento em casos suspeitos e/ou confirmados de coronavírus?

RESPOSTA: Estudos preliminares sugeriram que medicamentos com determinadas substâncias deveriam ser evitados em caso de Covid-19, mas esses estudos são ainda inconclusivos.

 

 

Pessoas que usam medicação para doenças pré-existentes, se infectadas pelo novo coronavírus, devem interromper ou modificar seus tratamentos?

RESPOSTA: Não. Especialistas alertam que pessoas com doenças pré-existentes e/ou comorbidades, antes de interromper qualquer medicação ou tratamento, devem consultar um profissional médico.

 

 

Como deve ser feito o período de quarentena em casa para quem está com sintomas?

RESPOSTA: Deve ser um período de isolamento domiciliar, evitando contato também com os outros moradores da casa, se houver, especialmente se forem idosos ou pessoas com doenças crônicas. Adotar uso de máscara cirúrgica, não compartilhar objetos, lavar frequentemente as mãos, lavar frequentemente o nariz com soro fisiológico. Em relação à casa, limpar frequentemente as superfícies com água sanitária ou álcool 70%. No quarto usado para o isolamento do paciente, manter as janelas abertas para a circulação do ar e a porta fechada durante todo o isolamento, limpando a maçaneta frequentemente com álcool 70% ou água sanitária. Lembre-se de manter uma distância mínima de um metro entre o paciente e os demais moradores. Todos os moradores da casa ficam em isolamento domiciliar por 14 dias também.

 

 

Após quantos dias a pessoa que teve Covid-19 pode retornar à sua rotina?

RESPOSTA: O Ministério da Saúde orienta que qualquer pessoa com Covid-19 deve afastar-se das suas rotinas por, pelo menos, 14 dias – período de isolamento domiciliar. A partir do momento em que for comprovada a cura do paciente, o que pode variar de pessoa para pessoa, tomadas as devidas proporções do distanciamento social/físico, pode-se retornar às rotinas.

 

 

Existe protocolo para as Equipes de Atenção Domiciliar no manejo com os pacientes sintomáticos e que ficarão em casa?

RESPOSTA: Sim, o Ministério da Saúde tem elaborado diversos protocolos de manejo e organização na atenção primária à saúde para resposta à infecção pelo novo coronavírus. Clique aqui para conhecer esses protocolos

 

 

TRANSMISSÃO

 

O que é pandemia e o que muda com a declaração da OMS?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Qual é a forma de transmissão do novo coronavírus?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Mesmo sem sintomas aparentes, uma pessoa infectada pelo vírus pode transmiti-lo? O risco de transmissão é maior quando a pessoa apresenta ou não sintomas? Durante quantos dias uma pessoa é capaz de transmitir o vírus?

RESPOSTA: Sim, estudos sugerem que a transmissão pode ocorrer mesmo sem o aparecimento de sinais e sintomas. No entanto, mesmo com essa possibilidade, o potencial de transmissão é comprovadamente maior nos pacientes sintomáticos, sendo que, nesses casos, o período de transmissibilidade do vírus é de, em média, 7 dias após o início dos sintomas.

 

 

Já foi confirmada a transmissão oral-fecal?

RESPOSTA: As investigações sobre as formas de transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa, ou seja, a contaminação por gotículas respiratórias (saliva, espirro, tosse) ou o contato direto e indireto (toque, aperto de mão, objetos e superfícies contaminadas) são apontados como as principais formas de transmissão da doença.

 

 

Existe transmissão do novo coronavírus da mãe para o bebê na gestação, no parto ou na amamentação?

RESPOSTA: Ainda não existem estudos que comprovem se uma mulher grávida com Covid-19 pode transmitir o vírus ao feto ou ao bebê durante a gravidez, o parto ou no aleitamento materno. Para as mães com suspeita ou diagnóstico confirmado de Covid-19 que queiram manter o aleitamento materno, elas devem observar as medidas de prevenção recomendadas, como lavar as mãos antes de tocar no bebê e usar máscara facial durante a amamentação. Os benefícios da amamentação superam quaisquer riscos potenciais de transmissão do vírus através do leite materno.

 

 

Qual a extensão do contágio? Por exemplo: com frutas e entrega via delivery, há necessidade de desinfecção das embalagens e alimentos por risco de contágio?

RESPOSTA: A transmissão do coronavírus ocorre por meio de gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas. Para evitar doenças, de modo geral, é fundamental a higienização das frutas e no preparo e acondicionamento dos alimentos. Fundamental também é a boa higienização das mãos antes das refeições.

 

 

Se crianças se deslocarem de casa para a casa de avós é arriscado eles pegarem coronavírus?

RESPOSTA: Se, no trajeto, as crianças tiverem contato com uma pessoa doente ou superfície contaminada, elas podem contrair o vírus. Por isso a recomendação de manter distância, evitar contato físico, permanecer em casa, sair somente se necessário, higienizar as mãos com frequência. As crianças podem, depois, transmitir o vírus para os avós, e a doença costuma ser mais grave entre os idosos. 

 

 

Qual o tempo de vida do vírus fora do corpo humano?

O que se sabe sobre a resistência do vírus?  

RESPOSTA: As partículas virais liberadas junto com a saliva podem permanecer flutuando no ar por cerca de 30 minutos. Os vírus que se depositam sobre uma superfície, dependendo das características dessa superfície, podem permanecer viáveis por algumas horas ou até dias. Estudo recente, publicado no New England Journal of Medicine, descobriu que o vírus é viável por até 72 horas em plásticos, 48 horas em aço inoxidável, 24 horas em papelão e quatro horas em cobre. A quantidade de vírus existentes nas superfícies vai diminuindo com o passar das horas, reduzindo o risco de contaminação. O mais importante é evitar tocar em superfícies com as quais muitas pessoas têm contato, o que inclui mesas, bancadas, maçanetas, interruptores, telefones, teclados, torneiras etc. A limpeza das superfícies com desinfetante ou sabão é muito eficaz.

 

 

O coronavírus sobrevive na água? Em que condições (qualidade da água, temperatura etc.)? Há conhecimento científico comprovado sobre isso? Qual a referência?

RESPOSTA: Ainda não há evidência de transmissão do novo coronavírus pela água, seja água potável, águas residuais, águas pluviais. É provável que os métodos adotados para o tratamento dessas águas promovam a remoção ou inativação do SARS-CoV2. Apesar disso, para os trabalhadores que atuam nessa área, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é recomendado como forma de prevenção. Mais informações no site dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos

 

 

A máscara feita em casa, de tecidos como tricoline, pode ajudar a evitar o contágio?

RESPOSTA: Máscaras de tecido não são recomendadas, sob qualquer circunstância. O uso de máscara cirúrgica é uma das medidas de prevenção para limitar a propagação de doenças respiratórias, incluindo o novo coronavírus. No entanto, apenas o uso da máscara cirúrgica é insuficiente para fornecer o nível seguro de proteção. Outras medidas igualmente relevantes devem ser adotadas, como a higiene das mãos com água e sabonete líquido ou preparação alcoólica antes e após a utilização das máscaras. Após o uso, a máscara deve ser descartada.

 

 

Uma pessoa que teve Covid-19 pode pegar de novo?

RESPOSTA: Ainda não se sabe se a infecção em humanos irá gerar imunidade contra novas infecções e se essa imunidade será duradoura por toda a vida.

 

 

PREVENÇÃO

 

Faço parte do grupo que não poderá ficar em casa. Como devo me portar no atendimento ao cidadão?  

RESPOSTA: Manter distância mínima de um metro, evitar contato físico, não compartilhar objetos, higienizar com frequência mesas, balcões etc., lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou higienizá-las com preparação alcoólica.

 

 

Quais os procedimentos de higienização de roupas e calçados após a utilização em ambientes externos?

RESPOSTA: É importante analisar sobre quais ambientes externos estamos falando. Se o ambiente externo for um hospital, o rigor deverá ser maior do que se for um escritório, por exemplo. Mas, de modo geral, ao chegar da rua, o ideal é que a pessoa se dirija ao banheiro, tire a roupa e tome um banho. A roupa usada deve ser lavada com água e sabão, e quem manipula a roupa suja deve estar atento também. Não deve tocar na roupa suja e colocar as mãos no rosto, por exemplo. Igualmente, deve-se evitar andar com os calçados sujos da rua dentro de casa.

 

 

Costumo andar descalço em casa. Devo mudar esse hábito?

RESPOSTA: O ideal é não andar com os calçados sujos da rua dentro de casa.

 

 

Limpar a casa com água sanitária, misturada com água e algum detergente e desinfetante, mata o vírus?

RESPOSTA: O uso de um produto de limpeza é suficiente. Cuidado com a mistura de vários produtos diferentes, pois podem ocorrer reações químicas e liberação de substâncias tóxicas. Para mais informações sobre produtos usados na limpeza e conservação de ambientes, acesse a cartilha da Anvisa.

 

 

A limpeza de objetos como fechaduras, molho de chaves e outros aparelhos pode ser feita com a solução água sanitária, água e detergente? Ou pode ser feito apenas com álcool 70%?  

RESPOSTA: A limpeza de objetos pode ser feita com água e sabão, álcool ou outro produto de limpeza.

 

 

Aparelho celular, tablet, teclado do computador podem ser higienizados apenas com álcool 70% ou o álcool isopropílico mata o vírus também?

RESPOSTA: O álcool isopropílico tem menos risco de oxidar as peças de aparelhos eletrônicos. Entretanto, ele provoca maior secura da pele, é mais tóxico e tem menor atividade contra vírus. Para mais informações, acesse nota do Conselho Federal de Química.

 

 

GRUPOS DE RISCO

 

Tenho diagnóstico de sarcoidose, embora não apresente nenhum sintoma há mais de 10 anos. Também tenho um diagnóstico de distúrbio pulmonar obstrutivo leve. Sou considerado grupo de risco?

Quem tem rinite alérgica e doenças autoimunes é população de risco para a doença?

RESPOSTA: Doenças crônicas, especialmente aquelas que atingem o sistema respiratório ou afetam o sistema imunológico, podem deixar a pessoa mais vulnerável à Covid-19, o que só reforça a importância das medidas de prevenção.

 

 

CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS

 

Qual é a gravidade?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify.

 

Afinal, quem é esse novo coronavírus e, se ele é novo, quem seriam os antigos coronavírus?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify

 

Por que vários desses novos vírus começam na China? Seria uma coincidência ou não?

Esta pergunta foi respondida no podcast “Viralizados”. Confira abaixo ou na plataforma Spotify

 

Qual a capacidade de mutação do coronavírus?

RESPOSTA: Ainda não se sabe ao certo, mas, aparentemente, os vírus que estão causando a doença nos diferentes países do mundo não são muito diferentes geneticamente.

 

O que ainda não se sabe sobre o Covid-19?

RESPOSTA: Existem ainda muitas incertezas em relação ao novo coronavírus, como a letalidade, por exemplo.

 

O que devemos esperar para os próximos meses com relação ao vírus?

RESPOSTA: É mais uma das incertezas. Em alguns países, como na China, estima-se em três meses a duração da epidemia, mas isso pode variar de um lugar para outro. O ideal seria uma duração mais longa, mas com um aumento menos abrupto do número de casos, com menos pessoas doentes ao mesmo tempo.

 

É verdade a notícia que tem circulado a respeito de pessoas testando positivo para o coronavírus semanas após serem consideradas curadas? Se sim, o que isso nos diz sobre este vírus?

RESPOSTA: Sim, é verdadeira essa notícia. Alguns pacientes, especialmente na China, voltaram a apresentar resultados positivos em testes laboratoriais, dias após não apresentarem mais sintomas. No entanto, como o vírus SARS-CoV-2 é ainda pouco conhecido, não existem estudos suficientes sobre esses achados. Algumas hipóteses têm sido levantadas, como, por exemplo, a alta sensibilidade do teste diagnóstico utilizado (PCR), que pode estar captando fragmentos remanescentes da infecção pelo coronavírus. Outra possibilidade é que o teste cujo resultado foi negativo pode não ter sido feito de forma adequada. Ou, ainda, o novo coronavírus pode provocar uma infecção bifásica, isto é, ele persistiria no organismo e, após algum tempo, reapareceria com outros sintomas. Mas tudo isso são hipóteses na tentativa de explicar esses achados.

 

 

Leu o guia e não encontrou a resposta que procurava? Ela pode estar também em nosso podcast “Viralizados”, nas plataformas Spotify e SoundCloud. Mas, se não encontrar agora, não se preocupe. As duas estratégias – guia e podcast – estão em permanente atualização e, em breve, teremos mais informações aqui. Inclusive, as respostas poderão ser atualizadas conforme avançam as evidências científicas sobre o assunto. Não deixe de acessar o nosso site e indicá-lo aos amigos e à família.

 

 

Matéria atualizada em 27/03/2020.